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Melancolia vespertina

Melancolia vespertina Por Ariadne Senna Caminhei até lá e, depois de hesitar por algumas vezes, bati na porta. Abriu. "Oi", eu falei. "Quer entrar?", ela disse. E somente com um aceno de cabeça respondi que sim e ela, somente com um gesto, me convidou para dentro. Sentei no sofá. Pernas unidas, braços colados ao corpo, olhar vagante variando entre as paredes, o teto e o chão. Silêncio. Ela sentou em outro sofá na minha frente e ficou olhando para mim. Eu não conseguia olhar na sua direção. Ficamos alguns min utos assim. Ela quebrou o silêncio e disse "Então você está de novo aqui". Olhei para ela mas depois de alguns segundos voltei a olhar para baixo. Silêncio. "E o que você quer fazer aqui?", ela perguntou. Levantei a cabeça olhando para cima, levei minhas mãos ao rosto e respirei fundo. Virei a cabeça para a direita e me concentrei fixamente em um móvel antigo encostado em uma das paredes. "É que talvez eu não tenha para onde...

Sobre vinte e tantos anos e quilos a mais

Sobre vinte e tantos anos e quilos a mais Por Ariadne Senna (escrito em 12 de janeiro de 2018) Nos últimos 5 anos, por vários motivos emocionais e sociais referentes à vida adulta, eu engordei 20 quilos. Isso quer dizer que atualmente eu estou 20 quilos acima do meu "peso tradicional". Chamo de peso tradicional porque foi o peso constante durante boa parte da minha vida e que, portanto, era o peso que meu corpo naturalmente mantinha naquele contexto e modelo de vida que eu costumava ter. Acontece que durante essa boa parte da minha vida que eu tinha 20 quilos a menos do que tenho hoje, eu me achava gorda num sentido negativo e ficava infeliz com o meu corpo. Hoje eu olho para as minhas fotos de 5 ou 10 anos atrás e vejo o absurdo que era se pensar algo assim, me pergunto como eu podia me achar gorda com aquele corpo. E a outra pergunta que me vem é: Quem me convenceu dessa ideia? Eu sempre "fui considerada" a gordinha da turma. Ou pelo menos foi assim que...

Carta de Amor

Carta de Amor Por Ariadne Senna (escrito em 27 de dezembro de 2017) Oi Queria dizer que ontem senti falta de você. Tive um encontro de fim de ano com alguns amigos aqui em casa e senti falta de você. Acredito que faz parte, né? Afinal, faz pouco mais de uma semana que terminamos... Ontem foi legal, gostei muito de receber meus amigos aqui. Você sabe como eu gosto de receber pessoas em casa, não é mesmo? Foi divertido, conversamos, jogamos, comemos. Falei um pouco de você. Mostrei o nosso album de memórias, tão bonito. Me abraçaram. Perguntara m se eu estava bem. Eu respondi que sim, que estou bem. Foi o melhor para nós dois, não é mesmo? Mas isso não significa que essa escolha venha sem dor... Ah, conheci um colega seu. Nesse mundo imenso cheio de coincidências e pequenezas, veio um colega seu da SP aqui ontem. Ele é um grande amigo de uma amiga minha e ela trouxe ele aqui. Artur, o nome dele. Muito legal, bem divertido e em certo momento eu disse "o meu ex namorado t...

Um café, por favor II

Café com Leite Por Ariadne Senna Ele e ela entram para tomar café da manhã, sentam em uma mesa um de frente para o outro. Ele é um senhor negro com cabelos totalmente brancos. Ela, uma senhora branca com cabelos que ainda carregam alguma cor. Ela usa óculos, ele não. Os dois usam blusa de frio feita de lã. Pedem e chega na mesa duas coxinhas de frango servidas cada uma em um prato. Ele embala a ponta da coxinha com o guardanapo e começa a comê-la pela parte rechonchuda e carnuda. Ela embala a base redonda da coxinha no guardanapo e começa a comer pela ponta crocante. Ambos comem com muito gosto. Tomam bebidas quentes entre uma mordida e outra,  um café para ele e leite puro para ela. As bebidas são servidas no mesmo tipo de copo, aquele copo americano pequeno típico dos botecos paulistanos em que eles já tomaram café e leite tantas outras vezes mais. O copo combina com os seus corpos velhos e pequenos, com suas mãos já manchadas e enrugadas pelo tempo mas que ainda carregam ...

Encontro

Encontro Por Ariadne Senna Pulsa em mim essa pontada, esse aperto, pulsação que em mim começa no peito e de repente toma o corpo inteiro. S u f o c a m e n t o . . .                                    . . . Ah. Como eu queria voltar a respirar. Vontade de me rasgar inteira, de me rasgar por inteiro, de correr sentindo o vento, correr para longe somente olhando pra frente seguindo apenas o caminho sem saber onde vou chegar. Correr, correr, correr! Sentindo o corpo, sentindo o sangue, sentindo os poros se abrindo e as lágrimas lavando a alma. Corra menina, corra. E de repente paro. E me vejo. Em frente de mim mesma. Espelho. .olhepsE Corri tanto só para me encontrar em outro lugar.

Atropelamento

(Escrito em 14 de setembro de 2015) Atropelamento Por Ariadne Senna Para o ciclista que me atropelou quando atravessou o farol vermelho enquanto eu atravessava a faixa de pedestres: Eu estava no verde, eu estava certa. Você veio por entre os carros quase me acertando e cheio de razão gritou: "Sai da frente, gordinha" E sem eu perceber e nem prever que isso aconteceria, fui atropelada por você, senhor ciclista. Você que atropelou minha luta, minha auto-estima, minha auto-imagem, meu orgulho de ser quem sou.   Atropelou e nem olhou pra trás, nem parou pra pensar nos julgamentos e agressões que me fez. Atravessou. Porque ser gorda nunca é estar certa. Ser gorda é estar no lugar errado, ocupar o seu espaço, te atrapalhar em sua pressa. Veja bem senhor ciclista, O senhor até me fez, por algum momento, me sentir mal por estar alí, atravessando, enquanto o verde estava para mim, autorizando minha travessia. Cheguei até pensar que eu estava errada...

Estado de Graça

Estado de Graça por Ariadne Senna   Hoje, de maneira inesperada, entrei em contato com a minha história. Lembranças e vozes invadiram minha memória e levaram à minha boca um sorriso, à minha mente abertura e aos passos, leveza. Hoje fui invadida por uma gratidão imensa, hoje tive a oportunidade de ser atingida pela "dádiva indubitável de existir materialmente".  Peço então licença à querida Clarice Lispector para escrever sobre o meu estado de Graça. Não que eu esteja à sua altura, mas porque estados de Graça acontecem para ser compartilhados. A Graça só se completa quando você pode abençoar o outro compartilhando um pouquinho de sua luz.   O som de minhas memórias me trouxe uma sinestesia de sensações, um acalanto no peito, um brilho em meu olhar, um sabor de melancia em minha manhã. Aquelas vozes que eu ouvia - e que nem sabia mais que existiam alí - me fizeram encontrar mais de mim. Me fizeram atingir - se Kundera me permite - uma sustentável leveza de ser. ...

Ao som

Ao som por Ariadne Senna   Hoje caminhei com fones de ouvido. Hoje, depois de muito tempo, muito tempo mesmo - depois de alguns anos! -, enfim voltei a caminhar com fones de ouvido na rua.    Parei de usar fones de ouvido na rua por alguns motivos triviais. Como, por exemplo, pelo fato de em 2007 eu ter sido atropelada enquanto atravessava a rua ouvindo música distraidamente. Ou porque de fato eu tenho uma perda auditiva considerável no meu ouvido esquerdo e eu estava começando a sentir dores de ouvido quando usava fones e também uma acentuação da minha surdez. Coisas poucas, coisas banais.  E parei. Naturalmente, foi natural pra mim, não me fazia falta. Até porque andava com fones de ouvido na rua desde quando tinha meus 13 anos, acompanhada de meu walkman e rebeldia adolescente. Já tinha experimentado muitos anos de música alta, passado por diversos aparelhos eletrônicos e estilos musicais, evoluído junto com a música que invadia meus ouvidos.  Pare...

Ensaio Sobre Cegueiras

Ensaio Sobre Cegueiras Por Ariadne Senna (Aos dois grandes Filipes da minha vida - dedico e agradeço)   Vivo rejeitando os lugares que me colocam. Parece que gosto de me revoltar com tudo, negar tudo, me contrapor a tudo. Apenas pelo simples ato de fazê-lo. Sem razão aparente, nego o que me dizem, o que me dedicam , nego as impressões que fazem de mim. Uma rebeldia que não é minha causa, como me disseram uma certa vez...   Desfaço os elogios que dirigem à mim, as delicadezas que enxergam em mim. Desconstruo todas as positividades que em mim nascem esbravejando contra eu mesma e contra o mundo, provando a todos que estão errados! O que resta em mim então é somente toda a agressividade que preciso para provar, extinguindo tudo o que tenho vergonha que exista - tudo que quero que os outros não saibam e não aproveitem de mim.   Ainda insisto em me fazer de forte, de inatingível, inabalável. Ainda insisto em me fazer de Deusa do Olimpo. Apesar de muitos anos...

Um café, por favor I

O Homem Verde Por Ariadne Senna   Senta-se na mesa, apoia o chapéu ao lado e o prato com um pedaço de Bolo de Frutas Cristalizadas em sua frente. Toma os talheres em mãos, garfo à esquerda e faca à direita.  Corta o pedaço de  bolo calculadamente ao meio, transformando o pedaço antes quadrado em dois pedaços retangulares iguais.    Tomba um dos pedaços para o lado, o que faz com que o açúcar de confeiteiro do topo do bolo se espalhe pelo prato. Ele pega a faca e, cuidadosamente, afasta o açúcar caído para a borda esquerda do prato, dispensando a doçura.  Ainda com a faca, raspa o topo do bolo - que agora está de lado - a fim de tirar todo o resquício de açúcar de confeiteiro que porventura tenha insistido em ficar teimosamente em seu bolo.      Continua a comer, é um ritual: Após retirar o açúcar, corta numa fina fatia a base do bolo, aquela que forma uma camada mais escura,  e a coloca na borda do prato;  corta os pedaço...

Carta de Interesse ao Corpo e à Escrita

Carta de Interesse ao Corpo e à Escrita Por Ariadne Senna   Compreendo que a escrita só existe porque existe um corpo. Um corpo que se relaciona com o mundo, um corpo que sente e pensa, um corpo que vive e um corpo que escreve. Sem corpo não há escrita e a escrita é uma possibilidade de expressão destes corpos escritores.   A escrita e a leitura são movimentos corporais, envolvem músculos, mecânica, envolvem processos físicos e contém tais processos. Na escrita o corpo se revela e se afeta; no processo de leitura-escrita, nossos corpos se transformam atravessados pelo que a escrita nos traz, provocando novas possibilidades de ser deste corpo e, consequentemente, novas possibilidades de escrita.   A relação entre corpo e escrita também é, portanto, uma relação de construção criativa: Expressar no corpo o que nos sensibiliza do processo leitura-escrita nos afeta e amplia a outras perspectivas de expressão da escrita.

Literatura

Literatura Por Ariadne Senna   Era texto, eram palavras marcadas em tinta no papel, escrita calculada e registrada. Protocolo em forma de rubrica.   Mas era além de somente texto, muito além de burocracia. Eram palavras e pontuações que se relacionavam formando sentidos, era prosa e dramaturgia que revelavam dramas e conflitos, que revelavam um pouco daquele que a criou.   Mergulhei naquelas palavras e vocábulos, fui envolvida pelas tramas e circunstâncias. Absorvida pelo escrito, fui convidada a desvendar símbolos, sensações, os significados de tudo aquilo. Armadilha em forma de poesia.   Quando me vi, estava a investigar o subtexto e me encantar pelo contexto. Senti-me embalada pela vontade de ter mais contato com aquelas palavras, colocar em ação aqueles verbos, ler e sentir aquelas frases do papel em seus lábios e em forma de voz.    Foi crescendo dentro de mim o desejo de me aprofundar no escrito e no escritor, de me misturar com ...

Ensaio sobre as Lágrimas

Ensaio sobre as Lágrimas Por Ariadne Senna   Um dia ouvi falar que existem comportamentos universais presentes em todas as línguas e culturas do mundo e o sorriso foi dado como exemplo, o sorriso é um comportamento que é compreendido não importa aonde se esteja. Acredito que então o oposto do sorriso também deva ser uma linguagem universal: o choro, a lágrima, pois nem só de sorrisos são construídas as  relações humanas.   Lágrimas. Elas surgem, molham os olhos e escorrem pelo rosto, exteriorizando e comunicando o que antes era somente interno. Já o que elas revelam, se são lágrimas de dor, de saudade, de felicidade ou de melancolia, não importa por agora. São lágrimas e apenas uma coisa é certa: lágrimas são feitas de água, sal e emoção - seja qual for - e elas revelam justamente a presença de um sentimento forte dentro do peito (ou na garganta, ou no estômago, depende do lugar de preferência do sentimento).   As lágrimas são a nossa capacidade de tr...

Voo noturno

Voo noturno Por Ariadne Senna   Fiz uma escolha. Uma escolha que pulsava dentro de mim e que atendeu a um clamor por mais amor, por favor! Que respondeu ao meu desejo por experienciar e vivenciar a mais pura e sincera forma do amor, um amor verdadeiro sem posse e sem limitações, um amor que amplia e permite voar para cada vez mais encontrar mais amores e horizontes.   E me joguei! Me joguei acreditando que o amor me guiaria e me suportaria, me ensinaria a voar! ... Mas ao invés do voo me vi em uma queda livre! Sem a oportunidade de poder experimentar e vivenciar porque estava ocupada demais em cair. E caí.    Em minha queda percebi que tudo que mais queria era simplesmente explorar o amor em sua maior profundidade e possibilidades, estar mais íntima e próxima do amor e vivenciá-lo com a maior intensidade possível. Queria respirar amor e ser inspirada por ele! Esta era a minha escolha, este era meu desejo.    No entanto, caí e além de sofre...

(Des)Amor

(Des)Amor Por Ariadne Senna   Optei por não amar e por muito tempo desamei. Desamei a ideia de amor e de amar, desamei pessoas por me impedir de amá-las. Porque afinal o amor era para os covardes e só mesmo um covarde para se entregar à fraqueza do amar. Eu, em minha fortaleza, nunca me permitiria ser princesa, ser frágil menina que vive de suspirar.   Assim se fez: me armei, desliguei e desamei. Fiz que fiz achar que era certo a se fazer, fiz que me fiz de sábia e de forte que se fazia acima de tais questões tão superficiais.   Sabedoria? Ah, menina...   Tempos depois descobri o contrário, tudo se desfez e caiu por terra e me percebi covarde por não amar. Porque o amor não é coisa fácil, não é coisa leve. Amar é arte complexa, é trama e retrama, difícil de decifrar! Vai muito além do suspiro, invade fortalezas, destrói certezas, revira as coisas de lugar. F raco não é entregar-se ao amor, fraqueza é evitá-lo. Covardia é não enfrentá-lo. Estupidez é ...

Marcada

Marcada Por Ariadne Senna   Relato de uma história real.   Um homem passou por mim e me abusou. Um homem desconhecido ao passar por mim resolveu que meu corpo era seu e que tinha assim o direito de o violar. Simples assim. Não é poético e nem literário, é literal e realidade. Poderia não ser... Mas é.   Um homem passou por mim com passos determinados em um dia de chuva e me abusou. Como o abusador escolhe sua vítima, desde quando ele estava calculando seus atos, isso eu não sei. A injustiça é que o abusador, em seus passos em direção à abusada, sempre sabe o que vai acontecer com sua vítima, mas o contrário nunca acontece. Enquanto a vítima segue seu caminho com passos inocentes, os abusador define seu caminho com passos calculados e movimentos escolhidos. Eles se cruzam. E o abuso acontece.   A mão encosta no corpo que antes era íntimo, a mão queima o que antes era puro. A mão infecta, marca, contamina. O toque ultrapassa a pele, invade as veias, inun...

Por um toque de Certezas

Por um toque de Certezas Por Ariadne Senna Certeza | cer.te.za |  Sub. fem. (certo+eza) 1. Qualidade do que é certo; 2. Convicção do espírito de que uma coisa é tal qual ele a concebe.   Poucas pessoas sabem, mas na realidade Certezas são fadas que voam ao nosso redor e que nos tocam, nos guiam, nos influenciam.  Fadas que vivem entre nós, intervindo em nossas vidas e existências. Certas vezes elas até entram e passeiam por nossos corpos e seus lugares preferidos são a cabeça, o estômago e o coração.   Certezas são rápidas e ágeis, voam com muita destreza! Mas dependem da fé dos homens para existir então gostam de estar próximas aos seres humanos e, por isso, são fáceis de serem capturadas. Outra característica é que Certezas são extremamente mutáveis! Gostam de mudar de aparência, de tamanho e de lugar, caminhando por vários humanos e assumindo diversas formas diferentes.   Por dependerem da crença dos humanos para sobreviverem, o tempo de ...

Um passo de cada vez

Um passo de cada vez Por Ariadne Senna   Só sei que nada sei. E só sei que sempre nada saberei.   Mas gosto de levar em consideração todas as sabedorias que um dia aprendi, compreendi e que atravessaram por mim. Que me auxiliaram na constituição do meu ser eternamente repleto de não saber e que assim me fizeram sentir-me sempre cheia e vazia ao mesmo tempo. Gosto de expor minhas sabedorias e afirmá-las, mesmo que sejam só minhas, mesmo que sejam temporárias, mesmo que eu saiba que nada sei.

Fazeres

Fazeres Por Ariadne Senna (Escrito em 30 de junho de 2013 - e continua presente)   Nas vezes em que eu me encontro, me pergunto: "E o que eu faço de mim?"   O que eu faço de mim que me perco tantas vezes para então ser encontrada? O que faço de mim que em tantas vezes encontrada acabo me reconhecendo diante dos mesmos problemas e situações? O que faço de mim depois que me encontro? Esqueço-me? Ignoro-me? Desapareço?   O que faço de mim? O que posso fazer?

Declarações de Uma Noite em Crise

Declarações de Uma Noite em Crise Por Ariadne Senna São Paulo, 19 de outubro de 2013   Não digo que tenho medo de perder-te, porque nunca fostes e nem serás meu. Mas confesso que tenho medo de perder-nos, perder o que foi construído por nós.   Sei que as relações se transformam e não desejo que sejamos para sempre iguais, mas tenho medo que em meio às mudanças em algum momento não nos reconheçamos mais.   De qualquer forma, quero dizer-te que amo-te. Agora e sempre. Pois sempre farás parte de mim e sempre terás guardado contigo este amor que nutro por ti.