Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Poesias

Versos XLVIII

(Escrito em 14 de setembro de 2015) [Sem Título] Indo ao fato concreto do ato que manifesto: Jogar-se é uma arte! Arte de cair Arte de se esvair De esvaziar-se para encher-se de ar Ariadne Senna

Versos XLVII

Encontro com a decepção Encontro a decepção  Gorda Parada Estéril Inerte. Inútil Encontro a decepção, não chamo por ela, não a convido, mas ela sempre se coloca, insuportavelmente diante de mim calada, sem falar nada! Com uma presença intensamente incomodativa. Imbecil! Coloca-se onde quer que eu vá e se arrasta, pesada, só me observando de forma estúpida! Sem em nada ter culpa. Ela. Encontro a decepção Encontro a decepção no espelho.

Versos XLVI

Elegia Elegia | e-le-gi-a | (latim elegia) | substantivo feminino. 1. [Literatura]Poema sobre assunto triste ou lutuoso. 2. [Literatura]  Poema constituído por hexâmetros e pentâmetros alternados.  3. [Figurado]  Jeremiada, lamentação. Tantas elegias compostas que me afundaram em pleno mergulho dentro de mim, afogando-me em minhas próprias angústias Pelo estado de tristeza que me acometia - às vezes sem aparente propósito A beleza de ser triste é algo inigualável A lágrima escorrendo por olhos de melancolia é de poesia profunda e inatingível por letras em papel Quem disse que o belo precisa ser alegre? Quem determinou estes padrões de vivência em que a alegria -  sempre tão louvada - reina sobre a tristeza em mundo superior? Quem destinou a tristeza ao lugar de sentimento renegado, um submundo obscuro e marginal? Tristeza floresce, também tem cores e cheiros me encontra, me conta coisas, me põe para deitar dando um beijo ...

Versos XLV

Caminhada Confio meus passos a ti Meu guia. Meu guardião. Que me leva, me encaminha Que guarda meus passos perdidos Me ajuda a encontrar caminhos Confio em teus passos e sigo Sentindo que teus passos comigo Trilham caminhos em mim Que chegam ao espaço de nós

Versos LXIV

Fazer dos teus os olhos meus Poderia fazer dos teus os olhos meus Para me enxergar como tu me vês (Bobagem! O que mais quero que esta visão esteja em ti.)

Versos LXIII

Ao fim I. No fim de todo som sempre existe o silêncio Você ouve? Ouve! Está ouvindo? Para! ... Ouve: … Ouviu? É esse o som. Exatamente esse o som. Percebe? É assim. Esse som. Você ouve? Para e percebe. Ouve? Percebe mais. Escuta mais. Pode? Percebe? É assim. Exatamente assim. Esse som Eu ouço. Só. II. No fim de toda visão sempre existe o vazio Vê? Consegue ver? É assim, quase impossível. Mas existe a todo tempo É assim. Vazio. Consegue ver? Vê. Veja mais. Olhe mais. Profundamente. Consegue achar? Consegue enxergar? Vai. Vai perto. Vê perto. Vai! Vê? Volta. Eu vejo. E vejo. De novo. Vê? III. No fim de toda ilusão sempre existe a realidade Como? Por que? Assim. Mas ... É. Difícil. Dolorida. Eu? Por que …? Dura. Assim? Aqui que chega? Aqui que acaba? É. Só. Aqui, assim. Sonhas?

Versos LXII

Silêncio Aprendizado maior que ouvir É aprender a falar Q u a n d o n e c e s s á r i o Aprender a reconhecer Aquilo que deve ser manifesto E a maneira que deve ser dito               dito que ser deve à maneira               deve a maneira que dito é É aprender a calar . . . Quando o melhor é nada dizer Quando o melhor é escutar Quando o melhor é estar. Presente. A retórica e a argumentação nem sempre são prioridades. Ariadne Senna

Versos LXI

Café de manhã Sabores e cheiros da manhã Que me despertam ao dispersar os sentidos meus Acasos acordados por nós Que se desenlaçam quando encontro os passos teus Amanheceres que me fazem inspirar Que me fazem me perder Nos teus beijos amargos de café Que se tornam tão doces ao aquecerem os lábios meus Ariadne Senna

Versos LX

Devaneios Qual a cor do sabor? Qual o sabor do calor? Qual o calor do som? Qual o som da cor? Ariadne Senna

Versos LIX

My Own Song (Escrito em 18 de dezembro 2011) I look at my hands, at their lines The brands of my life I came from far away to get now here It is so hard to face the past But I've learned that There're times you need to look back To find a way to go And to carry on Step by step I am doing my way Before tears and fears I must not be afraid to be strong And I will find The light to guide me  To my conforting home A place to be in peace with me And finally end my song My own and lonely song Ariadne Senna

Versos LVIII

Inacabado É como se o pêndulo do relógio tivesse ficado parado ao pendular para a esquerda Sem soar as badaladas que precisava dar É como se ao escrever  a ponta do lápis tivesse quebrado Sem ter apontador no momento para apontar É como se ao dar um passo o pé ficasse paralisado no espaço entre o ar e o chão Impedindo as pernas de seguirem e caminhar Essas são as sensações das coisas que ficam assim, pendentes inacabadas em mim Ariadne Senna

Versos LVII

... I A bailarina errou o pé Caiu no palco, diante da platéia Mas, com classe, se re-colocou em posição E continuou o espetáculo II A atriz ficou sem fala Emudecida, diante do imprevisto Mas soltou um belo sorriso E deu sequência no improviso III A poetisa perdeu a inspiração Perdeu a rima, deixou o papel em branco Mas então se pôs a ensaiar E criou sobre sua falta de criação IV E a platéia? Nem se importou, aplaudiu! Fortemente aos pés da bailarina E a peça? Continuou e se completou Construindo-se cena após cena E a poesia? É sempre construída, no dia a dia No cotidiano de poder ser... V As palmas soaram O ato acabou A poesia se fez Mas por trás de cada uma delas, Da bailarina, da poetisa, da atriz As lágrimas ficaram guardadas  Entre as quatro paredes Aonde o choro escorreu Ariadne Senna

Versos LVI

Andando na chuva Molha a cachola Os cabelos de mola A lama da sola Que caminha a cantar "ploft, ploft, ploft" Pinga o pingado Chove no molhado Escorre do toldo E desce a assobiar "chuá, chuá, chuá" Poesia de um dia de chuva Chuvarada em dia de poesia Ariadne Senna

Versos LV

Às coisas pequenas Não são as coisas grandes que me afetam Não, essas não! Essas me fazem movimentar Trabalhar em busca de soluções,  alternativas, modificações... Não tenho medo das coisas grandes! Porque sei que se diante delas eu falhar, Foi porque, apesar de meus esforços, a mim não coube fazer nada Se, diante delas, eu realizar apenas uma pequena mudança Já foi uma grande conquista diante do improvável E se, diante de sua grandiosidade, eu conseguir me superar É a grande vitória diante do impossível... Não, não temo as coisas grandes O que me afeta mesmo são as coisas pequenas Aquele último traço torto, a palavra mal escolhida, o erro no tamanho, a cor que não deu certo Aquelas pequenas coisas que poderiam ter sido evitadas, resolvidas com o mínimo de atenção Mas que ao invés disso ficam lá, com sua imperfeição chamando-me para as suas pequenas grandes falhas Para o meu pequeno grande erro São das coisas pequenas que tenh...

Versos LIV

Falas entre partes I Insana! Que se dedica tanto a falar sozinha! Não percebe que nada soa, nada responde nada aparece? II Tola! Você que se engana ao dizer que estou só! Não percebe que sou escritora, pensadora ouvinte, todas ao mesmo tempo, todas vivendo em um mesmo momento? Aqui tudo aparece! Tudo se mostra e se esclarece! Comunico e, como única, me dedico P0r querer, pensar, rever, reviver! Por às vezes não poder falar Por respeito aos pensamentos que permito explorar... Ariadne Senna

Versos LIII

Som Caminhando entre trilhas sonoras A procura das notas que  - agora - fazem sentido pra mim... Ariadne Senna

Versos LII

Perdida Ando perdida Entre letras e notas Entre amores e amoras Entre política e prazer Entre razões de viver Ando perdida Entre a música e a escuta Entre a diversão e a luta Entre sonhos e realidade Entre a ilusão e a verdade Ando perdida Entre pensamentos e emoções Entre sentimentos e razões Entre a ideologia e a fantasia Entre capitalismo e anarquia Ando perdida Entre mundos de direito Entre mudos de direito Entre pausas enfermatadas Entre sinfonias allegradas Ando perdida Entre minhas próprias defesas Entre vontade e obrigação Entre minhas próprias levezas Entre sins, talvez e nãos Ando perdida Entre meus passos de menina E o meu vir a ser mulher Entre ser  o que gostaria E ser o que já se é... Ariadne Senna

Versos LI

Sobre sentimentos De todos os bons sentimentos que eu, em minha pequena humanidade, posso sentir e pensar                     Amizade,                      Felicidade.                     Paixão,                     Esperança,                      Saudade... De todos estes e tantos outros Eu renunciaria ao Amor Talvez porque O que seria do Amor sem os outros sentimentos? Ariadne Senna

Versos L

Análise Não permito que me revelem! Interpretem à vontade! São inúmeras as verdades Mas revelações concretas, definições de minhas palavras? Não! Jamais! Sou artista abstrata Com artes que se transformam dentro de quem a admira E deixo aos artistas leitores a construção do sentido singular e sentimental de minhas letras... Ariadne Senna

Versos XLIX

Entranhas O que eu faço de ti faço dentro de mim apago afogo afago abraço... Faço num desfazer controlado Num pensar repensado Num questionar renegado Mas sempre dentro de mim Sempre dentro de ti Ariadne Senna