Melancolia vespertina
Melancolia vespertina Por Ariadne Senna Caminhei até lá e, depois de hesitar por algumas vezes, bati na porta. Abriu. "Oi", eu falei. "Quer entrar?", ela disse. E somente com um aceno de cabeça respondi que sim e ela, somente com um gesto, me convidou para dentro. Sentei no sofá. Pernas unidas, braços colados ao corpo, olhar vagante variando entre as paredes, o teto e o chão. Silêncio. Ela sentou em outro sofá na minha frente e ficou olhando para mim. Eu não conseguia olhar na sua direção. Ficamos alguns min utos assim. Ela quebrou o silêncio e disse "Então você está de novo aqui". Olhei para ela mas depois de alguns segundos voltei a olhar para baixo. Silêncio. "E o que você quer fazer aqui?", ela perguntou. Levantei a cabeça olhando para cima, levei minhas mãos ao rosto e respirei fundo. Virei a cabeça para a direita e me concentrei fixamente em um móvel antigo encostado em uma das paredes. "É que talvez eu não tenha para onde...