Dois de Janeiro de Dois Mil e Dezoito

Dois de Janeiro de Dois Mil e Dezoito
por Ariadne Senna

I
E assim acabou.
Sem muito barulho
Um tanto em silêncio
Acabou sem muito entendermos
como que chegamos aqui
para acabar, mas com a certeza
de que estávamos aqui por estar se
acabando.
Sem muito discurso
Um tanto sem conflito
E quando percebemos, 
já tinha
acabado.

II
Eu te larguei no teu melhor momento... Desculpe, mas é que eu não pude esperar mais. Tanto tempo esperando por este momento mas me desculpe, é que eu não pude esperar mais. Talvez faltasse tão pouco! Talvez estivesse tão perto ... Mas me desculpe, eu simplesmente não pude te esperar mais. Talvez eu até pudesse, até poderia, talvez o momento até chegasse... Mas me desculpe. 
Eu não pude. 

Porque o medo da espera se tornou maior do que a esperança de, enfim, chegar.

III
Eu sei que o erro foi meu
Responsabilidade minha ter cuidado um pouco mais da tua vida do que da minha
Mas é que eu pensava estar cuidando da nossa...
E agora que você não está mais aqui,
O que eu faço comigo?

IV
será que eu estava certa?
será que você estava incerto
mas por um certo afeto
você não percebia?
será que você estava inquieto
mas por um tamanho apego
você não se movia?
será que existia incômodo
mas por estar um tanto cômodo
você não se feria?
será? será que eu estava certa?
apesar do que você me dizia?

V
superar[se]

VI
Com você sonhei coisas que eu nunca tinha sonhado com ninguém
E eu sei. Fui eu que também quis.
Mas e agora o que eu faço com todas essas realidades não vividas?

VII
Apaguei a luz
E dos aplausos e agradecimentos
me resta também agora
lidar com a solidão

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