Melancolia vespertina
Melancolia vespertina
Por Ariadne Senna
Caminhei até lá e, depois de hesitar por algumas vezes, bati na porta. Abriu. "Oi", eu falei. "Quer entrar?", ela disse. E somente com um aceno de cabeça respondi que sim e ela, somente com um gesto, me convidou para dentro.
Caminhei até lá e, depois de hesitar por algumas vezes, bati na porta. Abriu. "Oi", eu falei. "Quer entrar?", ela disse. E somente com um aceno de cabeça respondi que sim e ela, somente com um gesto, me convidou para dentro.
Sentei no sofá. Pernas unidas, braços colados ao corpo, olhar vagante variando entre as paredes, o teto e o chão. Silêncio. Ela sentou em outro sofá na minha frente e ficou olhando para mim. Eu não conseguia olhar na sua direção. Ficamos alguns minutos assim.
Ela quebrou o silêncio e disse "Então você está de novo aqui". Olhei para ela mas depois de alguns segundos voltei a olhar para baixo. Silêncio. "E o que você quer fazer aqui?", ela perguntou. Levantei a cabeça olhando para cima, levei minhas mãos ao rosto e respirei fundo. Virei a cabeça para a direita e me concentrei fixamente em um móvel antigo encostado em uma das paredes.
"É que talvez eu não tenha para onde ir...", respondi, sem mudar a direção do meu olhar.
"Entendo", disse ela. "É difícil mesmo".
"Entendo", disse ela. "É difícil mesmo".
Sim, é difícil mesmo, pensei.
Mais silêncio.
"Bom, quando você quiser ir, fique à vontade".
"Obrigada", disse eu.
Mais silêncio.
"Bom, quando você quiser ir, fique à vontade".
"Obrigada", disse eu.
Ela se levantou e deixou a sala. Eu continuei ali a vagar pelas paredes, tetos, móveis, tapetes e chão. Em algum momento respirei fundo novamente e olhei para frente, encarando o sofá que agora estava vazio. Fiquei alguns minutos assim. Levantei, caminhei em direção à porta, abri e fui embora.
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