Literatura
Literatura
Por Ariadne Senna
Era texto, eram palavras marcadas em tinta no papel, escrita calculada e registrada. Protocolo em forma de rubrica.
Mas era além de somente texto, muito além de burocracia. Eram palavras e pontuações que se relacionavam formando sentidos, era prosa e dramaturgia que revelavam dramas e conflitos, que revelavam um pouco daquele que a criou.
Mergulhei naquelas palavras e vocábulos, fui envolvida pelas tramas e circunstâncias. Absorvida pelo escrito, fui convidada a desvendar símbolos, sensações, os significados de tudo aquilo. Armadilha em forma de poesia.
Quando me vi, estava a investigar o subtexto e me encantar pelo contexto. Senti-me embalada pela vontade de ter mais contato com aquelas palavras, colocar em ação aqueles verbos, ler e sentir aquelas frases do papel em seus lábios e em forma de voz.
Foi crescendo dentro de mim o desejo de me aprofundar no escrito e no escritor, de me misturar com aquelas mãos, de construir diálogos e relação. Experienciar conflitos e dramas, explorar diversos papéis e criar tantos outros, vivenciar e criar narrações.
Qual foi minha surpresa ao ser acolhida pelas mãos, pelos ombros, pelos braços do autor. Qual foi meu encanto de me tornar poesia, ao ser tocada por palavras, beijos e rimas. Qual foi então o meu imenso fascínio em me ver refletida em olhos azuis, em me sentir abraçada por veias literárias.
Sigo de página em página, aproveitando cada verso, cada figura de linguagem, explorando recursos de expressão e interpretação. Agradecendo imensamente por poder experimentar novos modos de me escrever e de me inscrever (em você, querido escritor).
Uou.
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