Um café, por favor I

O Homem Verde
Por Ariadne Senna



  Senta-se na mesa, apoia o chapéu ao lado e o prato com um pedaço de Bolo de Frutas Cristalizadas em sua frente. Toma os talheres em mãos, garfo à esquerda e faca à direita. Corta o pedaço de  bolo calculadamente ao meio, transformando o pedaço antes quadrado em dois pedaços retangulares iguais. 

  Tomba um dos pedaços para o lado, o que faz com que o açúcar de confeiteiro do topo do bolo se espalhe pelo prato. Ele pega a faca e, cuidadosamente, afasta o açúcar caído para a borda esquerda do prato, dispensando a doçura. Ainda com a faca, raspa o topo do bolo - que agora está de lado - a fim de tirar todo o resquício de açúcar de confeiteiro que porventura tenha insistido em ficar teimosamente em seu bolo.
  
  Continua a comer, é um ritual: Após retirar o açúcar, corta numa fina fatia a base do bolo, aquela que forma uma camada mais escura,  e a coloca na borda do prato; corta os pedaços de bolo sempre do mesmo tamanho e os leva à boca espetando-os com a ponta da faca, apesar de manter o garfo sempre à mão esquerda; e, antes de comer, retira todas as frutas cristalizadas verdes, deixando-as também na borda do prato.  Não simpatiza com as frutas verdes.

  Depois de comer o Bolo de Frutas Cristalizadas, com metade dele ainda restando no prato, chama o garçom e lhe pede mais um pedaço. E o come. Igualmente ao primeiro.

  Finaliza, apoia os talheres sobre o prato, pega seu chapéu e sai. Todos os dias.

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