Contos Adulterados I

Aquela noite
Por Ariadne Senna
Lá estava ele sentado em sua poltrona, com seu copo de conhaque na mão, iluminado pela chama dançante da lareira. Estava perdido em pensamentos, olhando para frente, obsevando o fogo que queimava.
Recordava-se da noite anterior. As imagens estavam frescas em sua memória: o corpo nú, a luxúria, a sensação de prazer. Ela dançava sobre os lençóis e gritava com imensa satisfação. Era o êxtase, a loucura, cada momento vivo em sua mente.

Os corpos se misturavam, se tornavam um só. Uma só carne unida por uma só paixão que corria em suas veias provocando uma febre doentia. Naquele momento mais nada existia, nem mesmo aquele quarto, nem mesmo aquela cama, nem mesmo o tempo...
A dança cessara, junto com sua música. O ar que invadia seus pulmões era revigorante e seus corações pulsavam em um mesmo ritmo, desacelerando a cada segundo. Nunca se esquecerá de seu rosto angelical que descansava profundamente enquanto seus belos cabelos encaracolados eram acariciados delicadamente.
Ela deu o seu último suspiro. E sobre a cama o corpo do amante, que jazia com uma lâmina em seu peito, era regado pelo sangue que escorria da garganta da esposa adúltera.

Em frente a lareira, um vidro de veneno se quebra sobre o tapete...

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