Toque, rotina do tato

Toque, rotina do tato
Por Ariadne Senna

  Sempre gostei de mãos e sempre achei que deveríamos dar mais valor ao toque. Ao tato, ao abraço, ao contato. Na realidade deveríamos dar mais valor a todos os nossos sentidos e à imensidão de sensações que eles nos trazem sem nem ao menos percebermos, mas na minha opinião o mais desvalorizado é o toque. Acredito que é porque tudo se torna tão automático! Pegamos e tocamos coisas a todo momento, a toda hora, e nem paramos para sentir a sensibilidade do tocar, nem paramos para perceber o quanto nosso corpo e nossas mãos sentem por nós...

  Mãos. Acho-as fascinantes e admiráveis! Minha parte favorita desta grande obra de arte que é o corpo humano. Os dedos, as impressões, as linhas na palma da mão, os tendões, os ossos, as veias, a pulsação... São tão bem desenhadas, tão perfeitas! Poderia ficar horas analisando cada nó, cada caminho, cada possibilidade de movimento, cada possibilidade de toque das mãos... Poderia ficar horas tocando cada nó, seguindo cada caminho, cada possibilidade de mão.
  Ah! Quantas lembranças , quantos momentos elas já me proporcionaram! Incrível como o toque também deixa memória, também traz recordação. Ah! Quantas emoções e sensações estão guardadas no toque, guardadas no tato. Incrível como o toque também deixa saudade, também faz vontade...

  Certamente me lembrarei da sensação de estar escrevendo sobre mãos com as minhas mãos digitando as letras do teclado. Ágeis, rápidas, com movimentos precisos. Mas ao mesmo tempo tão leves, tão delicadas, tão brincalhonas a brincar de escrever... Certamente me lembrarei dessa sensação, certamente me lembrarei desse toque, certamente dessa, desta, daquelas tantas outras que estão marcadas em minhas mãos.


"E ela sentia o tato, sentia os dedos atenciosos escorrerem por suas delicadas mãos até encontrarem o pulso. Seu coração estava rápido e podia sentir isso, podia sentir o dedo pulsando, acompanhando o fluxo sangüíneo denunciador. Impressionou-se com o poder do tato, com a sensibilidade e conforto do toque. Estremeceu. Retirou suas mãos do alcance dos dedos..."

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