Sobre ser livre e inifinta

Sobre ser livre e infinita
Por Ariadne Senna

I
A arte de ser é algo que se constrói, se conquista e, principalmente, se relembra. É relembrar-se que se é, abraçar e compreender essência de si - e compreender essência é descobrir-se essencial. Para si.

A arte de ser pressupõe-se somente ~ ser ~. Não pressupõe provar-se, não pressupõe mostrar-se. A arte de ser inclusive não pressupõe saber e defender quem se é. A arte de ser está baseada em ser-se em essência e potência - é a arte presente da presença. Sutil e forte.

Ser é imenso, ser é possibilidades múltiplas de multiplicar-se até tornar-se mil em um, até tornar-se uno. Ser é dividir-se por zero e tender-se ao infinito! Ser é infinito em formato de gente.

II
Hoje me descobri me amarrando, cercando em cela pequena e apertada o animal selvagem que sou. E na minha ilusão de caverna em pensar que eu enxergava o mundo como ele verdadeiramente era, eu nem me percebi em minha cela. Cela que eu mesma construía, polia e trancava.

O ser humano é tão arrogante que acredita poder ser mestre de si, controlar-se. Controla o outro na vontade e necessidade de controlar a si próprio, na tentativa de represar a humanidade. Isso é barragem frágil, pronta para estourar! Isso é mania humana de represar forças naturalmente irrepresáveis.

Sinto pena. Senti pena de mim. Pena por cercar potência numa reles cela com barras de ferro. Por acreditar-se limitada numa jaula dura e fria. Por negar-se a natureza selvagem. Pena de fazer-se pequena quando se pode ser infinita.

III
Sejamos o que fomos criados para ser. Sejamos deuses - livres e infinitos.

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