Dúvidas
Dúvidas
Por Ariadne Senna
E a angústia da dúvida me mata, me sufoca! Como posso de novo ousar a duvidar se a dúvida, a reflexão e os pensamentos me trazem tal angústia e dor? Sentimentos que me consomem as ideias, os atos, me consome o presente, o passado e o vir-a-ser. Como?
Penso demais? Angustio-me demais? Tenho para mim que sentir angústia é a prova de um viver autêntico, próprio! Mas às vezes percebo que, ao angustiar-me, deixo de viver... Como faço? Como vivo? Como me aproprio de mim?
Como posso parar de me angustiar se tal angústia faz parte de mim? Como posso aprender a lidar de outras maneiras com a minha angústia se ela me convida o tempo todo a sentir? Como posso parar de duvidar se ela me convida o tempo todo a questionar? Como posso?
Existem quantas formas de viver? E quais delas me fazem sentido, me trazem prazer, me oferecem conforto? Quantas e quais são as minhas necessidades? Minhas vontades? O que é o indispensável para minha saciedade? E quais são os atravancos da minha felicidade? Qual a importância do meu viver? Qual a relevância cotidiana do meu ser?
Como lidar com meu papel social e meu ser subjetivo? Como mediar a pressão por produções quantitativas e estatísticas das conservas culturais que me envolvem (e às vezes quase me afogam!) com a minha vontade de produção qualitativa e artística?
Como lidar com o desejo de dançar na chuva e com as forças que colocam as razões para se manter seca? E como lidar com as questões que não estão ao meu alcance? Aquelas questões que não dependem de mim para serem pensadas, decididas, confirmadas...
Será que deveria pensar menos e viver mais? Será que deveria ser menos dividida, levantar menos possibilidades? Será que viver desta forma não seria arrancar de mim a minha forma mais original de viver, meu modo mais espontâneo de ser?
Como posso (re)encontrar enfim um equilíbrio que me traga paz?
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