Pílulas de Angústia
Pílulas de Angústia
Por Ariadne Senna
Momentos em que todos ao meu redor parecem insuportavelmente vazios, ausentes de angústia...
Preciso da angústia! Me faço feliz com a sua presença, aprecio a sua companhia!
Não quero pílulas de felicidade, dê-me pílulas de angústia!
Aquelas pílulas ácidas, amargas, tão difíceis de engolir que às vezes param na garganta, causando falta de ar; que às vezes param no peito, causando taquicardia; e que quando engolidas, provocam nausea, um embrulho no estomago, que corrói, que revira todos os órgãos!
E que revire! E vire de novo! Que me desvire e me angustie todas as vezes que eu precisar me utilizar de tal remédio, a angústia!
Preciso. Busco. Aceito-a com todos os efeitos colaterais: mal estar, questionamento crônico, incessante busca por sentido e insatisfação contante!
Remédio da alma... Para enfim respirar.
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