Contos Adulterados II

Memórias vermelhas
Por Ariadne Senna

Já conhecia aquelas paredes há muito tempo, conhecia cada canto daquele quarto, cada rachadura e por tantas vezes havia ficado naquela janela à luz da Lua. E lá estava ela novamente. Depois de uma noite de vinhos e jantar sofisticado, noite de carinhos e e beijos delicados, ela descansava deitada, novamente, naquela cama de lençóis antes brancos.

A meia-luz batia iluminando seu corpo nu. Seus olhos fechados descansavam após uma noite intensa, seu braço delicado pendia ao lado cama exibindo o belo anel de brilhante que havia ganho de presente naquela noite. Naquela noite especial, diferente de todas as tantas outras que ela já havia vivido.

Ele estava de pé ao lado da cama admirando a sua pele branca, seus seios redondos. Admirando a sua linda e única testemunha e cúmplice de adultério.
Observava o sangue se espalhar cada vez mais, manchando o algodão que assumia a cor avermelhada. Sua vida se esvaía, sua garganta estava aberta e sua voz, enfim, calada.

Limpou a faca que usara para cortar seu pescoço e saiu do quarto, em silêncio.
Agora ele poderia voltar para sua casa, sua família, para sua mulher - sem mais se preocupar com chantagens e ameaças de amor.

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