Por fim, enfim

Por fim, enfim
Por Ariadne Senna

  Em 2009 aprendi...
  É, talvez tenha aprendido. Aprendido tantas coisas que agora olhando para trás não consigo apreender todas elas. E talvez seja por isso que tenha sido tão díficil começar a escrever este texto...

  Afinal, começar por onde? Pelo que fiz, pelo que vi? Pelo que sorri, pelo que chorei? Pelo que aprendi, pelo que senti... De repente parece impossível a descrição deste ano que permitiu com que eu simplesmente me tornasse mais "eu" do que jamais fui. Talvez...
  E o que é um ano? Para mim já se passou a época de pensar que um ano é apenas uma determinação humana da divisão do tempo. Um ano significa mais para mim do que apenas uma simples convenção.

 Claro, admito que, com certeza, não deixa de ser uma necessidade humana... Mas afinal, eu sou humana. Desfruto portanto de tal necessidade e do prazer de passar por um ciclo e conseguir vivenciar seu ínicio, meio e fim. Desfruto da necessidade e do prazer de respirar fundo para seguir adiante e de respirar aliviada ao fim da caminhada.

  Neste ano fiz e desfiz mais do já construí e desconstruí em toda minha vida inteira. Vi sonhos se montarem, sonhos se contruírem, sonhos se realizarem, sonhos se miguarem, sonhos se destruírem. Foi um ano incrivelmente rápido no qual aconteceram mais coisas do que aparentava caber em um ano só e no qual, incrivelmente, cheguei ao fim percebendo que consegui fazer tudo que era para caber em um ano só.
  Um ano estranho, talvez... Mas ao mesmo tempo um ano expansivo! Como se ao fim dele eu tivesse aberto tantos outros caminhos inimagináveis ao meu redor, como se eu tivesse desbravados tantos outros lugares e como se tudo isso coubesse dentro de mim.

  No ínicio de 2009, eu estava com sonhos e projetos suspensos. Vi uma banda se criar, crescer e minguar, ficando latente, esquecida em nossos corações. Vi um grupo de teatro lutar, se manter, crescer e apresentar! Assim como vi ele se desmontando, se dispersando, se suspendendo.
  No ínicio de 2009, eu estava como sonhos e projetos se construíndo. Vi estudos que sempre desejei se tornarem realidade, vi minha organização e determinação tomando corporeidade. Entrei em um coral, passei a fazer yoga, saí de um coral, continuei fazendo yoga, comecei a aprender piano e parei aulas e canto. Agora acabo este ano parando de fazer yoga e inicio o outro voltando a fazer aulas de canto, aprendendo bateria e não sabendo muito bem o que me aguarda pela frente em meus afazeres e desfazeres...

  Mas incrível como tudo isso não consegue nem ao menos dizer o que foi 2009 para mim.

  Ao decorrer de 2009, vi uma capacidade crescer, uma nova banda se estruturar e surgir coragem para trilhar um novo caminho. Assim como vi dois sonhos adormecidos no inicio do ano acordarem de repente e trazerem o velho gostinho dos prazeres de outrora. Mas não tive a oportunidade de vê-los se realizando outra vez e acredito que ainda tenho que me acostumar com a idéia de que eles ficaram em 2008. Assim como já me acostumei com a idéia de que muitas coisas ficam em 2009.

  Em 2009 aprendi comigo, aprendi com as pessoas, aprendi com as coisas ao meu redor. Mas acho que o que realmente mais aprendi em 2009 é que tenho tanto, mais tanto para ainda aprender. Que ao mesmo tempo em que finalmente vi surgir uma mulher dentro de mim, essa mulher nada ainda sabe da vida.
  Em 2009 eu estudei francês - em 2009 eu estudei un peau de francês. Eu usei agenda, eu tentei me organizar, eu consegui me desorganizar mas afinal deu tudo certo no final. Eu mantive amigos, eu refiz amigos, eu conheci amigos e o mais importante, eu aprendi com eles e aprendi a lidar com eles.

  Em 2009 eu comi chocolate, eu comi soja, comi mato e estou bem assim. Eu estudei coisas que gostei, estudei coisas que não gostei tanto assim e fiquei com sede de estudar mais. Eu me descobri, me confundi, me desconfundi, me redescobri, me descobri de novo, me ganhei e me perdi no meio do caminho.  Em 2009 eu fiz música, eu quis música, eu aprendi música, ensinei música e segui a música - até mesmo me decepcionei com a música.
  Em 2009 talvez tenha aprendido a amar, talvez tenha aprendido que para mim é díficil amar. Em 2009 fui na virada cultural, andei de metro, esperei por algo inesperado, ganhei um livro, bati com um livro! Construí, resisti, impliquei, me entreguei. Tive dúvidas assim como tenho dúvidas e assim como tive e tenho certezas que crescem comigo e me fazem crescer. Mas foi bom, muito bom.

  É, um ano estranho - talvez - e um ano especial, como se coisas estivessem esperando o ano 9 para se tornarem ação. Mas estranhamente muitas delas somente no ano 9 encontraram ação.
  Inicio o ano 10 na total incerteza. Não sei onde vou me levar, quantas coisas vão continuar, se o construído vai se manter ou se não vai se firmar. Não sei se coisas novas vão surgir, se coisas antigas vão ressurgir ou desmoronar de vez, talvez. Não sei e me angustia não saber. Mas ao mesmo tempo sei que vivi o meu possível no ano que passou, acabo a caminhada com a aliviada sensação de missão cumprida e com a enorme vontade de fazer nesse ano que se incia.

  Eu quero! E querer é um bom começo. Construções e desconstruções são consequências.
  Um bom 2010 para nós.

 

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