Aquelas noites

Aquelas noites
Por Ariadne Senna
(Para o meu primeiro amor)

  Eu me lembro daquela época.
  Daquelas noites looongas, de tantas conversas, palavras e risadas.

  Noites em que eu ficava a olhar pela janela e sentia aquela brisa noturna que me fazia tão bem. Noites que tinham poucas horas de sono, mas que foram as mais bem dormidas da minha vida. Noites em que deitada na cama, eu conseguia fechar os olhos e viajar para outro lugar, sentir outros perfumes, abraçar algo além do meu travesseiro. Ah, aquelas noites! Saudosas e tão cheias de saudade... Noites que eu me sentia leve e que tinha certeza que podia voar para todas as partes, noites que me contentava em olhar para as luzes da minha janela e enviar beijos pelo ar. Noites que me faziam felizes, fosse com a presença da lua em sua forma mais cheia, fosse com a ausência misteriosa dela. Fosse com estrelas e mais estrelas fazendo caminhos no céu, fosse com nuvens nubladas que colocavam as estrelas para descansar. Toda noite tinha seu encanto e toda noite eu estava encantada. Ah, aquelas noites! Noites de esperança, noites de insegurança, noites de euforia e de taquicardia. Noites de falta de ar, mas que enchiam como nunca meus pulmões. Noites de uma sonhadora acordada. Noites de uma princesa apaixonada.

  Ah! Tantas conversas, tantas palavras e risadas. Noites de segredos, sussuros e declarações. Eu me lembro.
  ...
  Que brisa nostálgica a noite de hoje me traz... Brisa que volta a encher meus pulmões como nunca.

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