Inspiração expirada

  Esse texto eu escrevi no dia 4 de setembro de 2007. Estava então fazendo uma limpeza em meu computador, eis que me deparo com ele.
  Na época eu terminei de escrever, relí, não gostei! E o deixei esquecido... Mas o motivo pelo qual não o coloquei aqui antes está explicado no próprio texto, assim como também o motivo de eu estar o publicando agora.
  Portanto, por mais que essa fase e esses sentimentos não façam mais parte da minha realidade atual, resolvi finalmente expor este texto. E é, às vezes eu me surpreendo comigo mesma...




Inspiração expirada
Por Ariadne Senna

 Eu me lembro que se tem algo que eu sempre fui boa é a escrita. Sempre falei bem a língua portuguesa e desde o primário eu era a única aluna chata que tirava dez nas redações e ditados e ficava corrigindo os amiguinhos de 8 anos quando eles diziam algo errado... Insuportavel não? É, eu também acho...

 Então um belo dia, na minha 4ª série, a professora mandou fazermos um poema. Poema! Que lindo! Eu adorava escrever poemas! Mas... Um poema sobre o que? De repente me vejo diante da primeira crise existencial de que tenho memória! Não sabia o que escrever, não tinha idéia de por onde começar! Me vi abandonada pela minha criatividade e inspiração em um tunel escuro e sem fim... Bom, na verdade não foi tão dramático assim...
 Mas o fato é: todos estavam escrevendo e eu, com uma folha em branco diante dos meus olhos. Percebo agora que a minha piração vem desde a infância, senão for de nascença! Essa foi a primeira vez que eu me lembro de ter tido vontade de socar minha cabeça na parede... Nunca sentiu essa sensação? É... Pois é, eu vivo sentindo.. Pena que eu nunca cheguei a concretizar o ato de "socar minha cabeça na parede", deve ser ...aliviante! Ou não...
 É... O que escrever quando não tem sobre o que se escrever? Por que então não escrever sobre o fato de não ter nada para escrever?... Solução interessante não? Foi a solução para o meu poema do primário e está sendo a solução para este texto.

 Mas o segundo fato é: eu acho que nunca escrevi tanta besteira por aqui! Ou não... Mas o que tem de errado em escrever besteiras? Ah, dia estranho, dia revoltoso. Tipico de TPM. Bendito ciclo irregular!
 Por que, afinal, eu não tenho nada para escrever? Sabe quando acontece tudo ao mesmo tempo e acaba acontecendo nada? Nunca sentiu essa sensação? Pois é... Mas essa não me faz querer socar minha cabeça na parede.
 Será tudo isso besteira mesmo? Ou será que, assim como eu aprendi há anos atrás, eu estou reaprendendo a me expressar livremente, a tentar entender paranóias, crises e psicoses que se encontram dentro de mim? Deixar simplesmente as mãos fazerem o trabalho delas, escrever livremente sem tentar organizar rimas ou paragrafos, escrever simplesmente por escrever e deixar registrado este momento de pensamentos confusos. Deixar registrado o quanto confusa estou.
 

 Esse com certeza é um daqueles textos que eu vou terminar de escrever, postar, ler e não gostar. Tenho certeza também que vou ter vontade de apagar e talvez o faça... Mas também sei que é um daqueles textos que podem parecer ridiculos para mim agora mas que daqui alguns meses ou anos, quando eu estiver relendo, vai me fazer pensar e lembrar quem eu sou realmente.
 Talvez ele seja apagado ou talvez fique aqui. Bom, aconteça o que acontecer, seja o que for: delírios ou filosofia profunda. Acho que acabo de ressussitar minha inspiração.
 Espero...

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