Conceitos insanos de uma mente sã
Conceitos insanos de uma mente sã
Por Ariadne Senna
Muitas vezes não sei quem sou, não consigo me ver como se fosse eu mesma... E eu seria essa pessoa? Cada vez que me descubro, mais me entendo, mais me surpreendo, mais me encontro em mim. Cada vez que me descubro mais, mais me afirmo confusa, mais me assumo inconstante, mais me perco em me achar..
Inconstante, sim! E para quê sermos todos iguais, dessa maneira inumana de ser? Criamos formas regras e máquinas, uma sociedade que gira em torno de controlar o tempo e o espaço, de atos e gestos metódicos, todos seguindo um mesmo compasso em um mesmo ritmo.
Nos tornamos isso então: Máquina viva e orgânica que infesta esse mundo. Há! Ao menos temos a vantagem de sermos biodegradáveis, máquinas ecológicamente corretas... Ou então, nem isso.
Talvez sejamos máquinas, talvez eu seja máquina: Talvez não seja mais possível fugir dessa condição. Mas se é para que seja, exijo que ao menos eu ainda possa escolher a máquina que quero me tornar.
E eu escolho ser um piano. Máquina de fazer música e compor emoções. Sou máquina movida por mãos que me embalam por diversas melodias, andamentos e que fazem me tornar diferente a cada compasso. Um tanto allegro, às vezes moderato... E lágrimas caem sobre as folhas transformando-se em notas musicais. Sim, por que não? Não vejo problema nas lágrimas, na dor. Muitas vezes as acho belas e as traduzo em sonatas. Sou máquina que pode ser movida à quatro mãos ou simplesmente ser guiada pelos mesmos calejados e suaves dedos já conhecidos. Mas também gosto de ficar sozinha, muda, trancada no canto da sala. Também não vejo problema nenhum na solidão, ela me compreende, ela me preenche e eu preciso dela tanto quanto de mãos...
Tudo bem, tudo bem!
Pianos, labirintos, máquinas, dores e fingimentos de poesia. Sim, me veja como louca, insana, transtornada. Eu sou estranha mesmo! E não vejo também nenhum problema nisso! Soneto de rimas livres, eterna antítese ambulante! Simplesmente sou o que sou e pretendo sim mudar! Sempre evoluindo, caminhando adiante, descobrindo novas e velhas coisas.
Me deixem em paz! Me deixem ser o que quero, como quero, como sou. Por favor, não me condenem, não me julguem. Mas se o quiserem fazer, que façam! Porque eu me aceito como sou e, assim, aceito como são. Querem me condenar? Pois condenem! Se for de sua vontade, de seu querer, sinta-se livre para pensar e ser como é. Seja! Desde que assim respeite e não faça mal aos que te rodeiam, principalmente à você. Críticar é fácil, díficil é a autocrítica.
Se então insistimos em ser máquinas, ignorando a beleza da diferença humana, então espero que ainda tenhamos o direito (e vontade) de escolher que tipo de máquina queremos ser. Coloquemos as engrenagens para funcionar da maneira queremos ser. E seja! Funcione do seu modo e não do modo que exigem de você. Tente se desscobrir, ao menos tente.
Sonhadora utópica, inconformista, revoltada e insana novamente! Sim, eu sei, eu sei, não preciso que me digam! Admito e admiro minha loucura. Dou risada e dou razão à minha insanidade.
Não?
Então me deixe com minhas idéias e conceitos, se tranque no seu quarto no escuro e não ouça minha música. Me deixe em paz, porque eu estou em paz.
Ignore a (sua) loucura, dê-lhe um remédio e a ponha para dormir.
Muito bom o texto Aridinha, sempre disse... (ou melhor, digo) que você é uma garota genial!!! Devia ter comentado o post mais novo né, mas fiz questão de elogiar esse^^ rs.Bjos garota confusa e amada, bjos!!!
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