Muralha Por Ariadne Senna A mudança é algo que, neste momento, nem se coloca como possibilidade para mim, mas sim como pressão, como pura necessidade do ser. É como se a mudança me empurrasse e eu permanecesse no mesmo lugar, empurrando contra ela, me machucando com tal força que despendo para me fixar e lutar contra ela. No fim da luta quem se mostrará cansada e calejada serei eu, e ela, a mudança, não trará nem poucos arranhões. Continuará lá, fortemente presente como uma imagem imponente que me olha com incompreensão e pena se perguntando o porquê daquele ser tão pequeno resistir tanto - se perguntando como alguém tão frágil pode ser a sua própria muralha. Eu fico ajoelhada ao chão, cansada, não aguentando mais lutar, me diminuindo diante da força da mudança. Ela, diante de mim, só me olha tentando mais uma vez entender porque aquelas lágrimas doem tanto, tentando dificilmente compreender o porquê da fuga de algo inevitável. Eu permaneço e ela continua a se fazer presente, mas...